-A Ruptura-
Por J.L. Loffeu
Em Anhare, a magia não desperta.
Ela lembra.
Lembra do que foi esquecido sob templos e coroas, de pactos antigos selados antes que o mundo aprendesse a ter medo. Retorna em ecos — silenciosa, indomável.
Elion cresceu aprendendo a conter-se. O poder que carrega não busca glória. Apenas reage: à dor, ao afeto, ao medo de perder. Há forças que não pedem permissão para existir.
Kael, herdeiro de um reino moldado em pedra e promessas, conhece cedo o peso do dever. Ainda assim, algumas memórias resistem — passos compartilhados na infância, laços que nunca precisaram de nome. À margem do reino, uma canção se espalha.
Nyxara não aprendeu a cantar. Ela sobreviveu à canção. Em sua voz há sons antigos demais para serem maus, ecos de algo que o mundo chama de monstruoso por não compreender.
Enquanto a fé observa e o medo aponta, Anhare começa a se partir. Entre o que deve ser feito e o que nunca pôde ser dito. Entre ficar e partir.
Algumas histórias não começam com um chamado.
Começam com um eco.